
Atividade física é nota 10!
Criança que se exercita regularmente tira de letra as provas da escola e exibe com orgulho um boletim campeão. Descubra mais esse beneficio para a garotada.
Livres para brincar! Uma atividade física envolve riscos. Jovens que correm e pulam também se machucam. E os pais precisam domar o medo de que algo aconteça com seus pequenos se quiserem vê0los sempre ativos. Até porque uma pesquisa da Universidade de Bristol, na Ingraterra, mostrou que pré-adolescentes com liberdade para circular sem supervisão de adultos são mais sociáveis esse exercitam habitualmente. Já os superprotegidos ficam mais sujeitos ao sedentarismo. “É preciso soltar os filhos para que eles se mexam”, concorda Jorge Steinhilber.
Como anda o rendimento do seu filho no colégio? As notas nunca foram tão baixas e os professorem vivem reclamando da falta de envolvimento dele nas aulas? E na hora de fazer a lição de casa é aquele sofrimento? Calma. Antes de sair vociferando com o boletim nas mãos e aplicar aquele sermão típico de pais zelosos, tente uma estratégia mais sutil – e eficiente. Que tal propor a ele que se exercite mais?
É isso mesmo! A idéia é que a criança corra, pule e brinque até cansar, todos os dias, na escola ou em casa. Se ela tiver uma bola, uma corda ou, quem sabe, uma piscina por perto, melhor ainda. Na verdade, o que um estudo da Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, acaba de revelar é que a atividade física tem relação direta com o desempenho escolar da molecada.
Os pesquisadores submeteram crianças de 9 a 10 anos a testes de raciocínio em dias diferentes. No primeiro elas caminharam sobre a esteira; no outro, descansaram. “O exercício físico fez com que os garotos tivessem maior atenção nas avaliações, melhor resultado nas tarefas e compreensão mais clara da leitura”, conta a SAÚDE! O autor do trabalho, Charles Hillman. Ainda faltam explicações bem aprofundadas sobre a influência da atividade física na capacidade de aprendizado das crianças. Segundo Hillman, o que se sabe por enquanto é que suar a camisa mexe com o cérebro: “O exercício faz com que proteínas e neurotransmissores associados a aspectos importantes da aquisição de conhecimento atuem de forma diferente”.
Ricardo Barros, coordenador do Grupo de Trabalho em Medicina Desportiva e Pediatria da Sociedade Brasileira de Pediatria, vai além e dá como exemplo a ginástica rítmica. “É preciso concentração, habilidade de postura, coordenação e equilíbrio para aprender movimentos como estrela ou cambalhota”, explica o pediatra. “Repare que são todos requisitos também atrelados à aprendizagem”.
Os especialistas, porém, destacam um aspecto importante negligenciado pelos adultos: crianças devem praticar atividades físicas recreativas, e nunca competitivas. “Os pequenos querem brincar. Distorcer esse interesse é um erro”, enfatiza Jorge Steinhilber, presidente do Conselho Federal de Educação Física. “até os 10 anos, eles devem de preferência fazer jogos de coordenação motora com bolas, panos, arcos, papel e o que mais a criatividade permitir.”
Outra recomendação fundamental é nunca exigir demais da meninada, tampouco cobrar resultados. Isso só vai trazer desilusão, frustração e abandono precoce da atividade. “Além disso, o excesso de treinamento pode levar a distúrbios do sono, falta de apetite, cansaço e lesões musculares constantes”, alerta Ricardo Barros.
Fonte: Revista SAÚDE! é vital; Edição de Maio de 2009; nº 311; por Guliano Agmont; p. 56 e 57.